Um reformador, eu!?

Posted by | novembro 30, 2017 | História, Reflexão | No Comments

Os 500 anos da Reforma Protestante foram comemorados de diversas formas em diversos lugares do mundo. Milhares e milhares de pessoas celebraram este momento histórico. Os nomes de Martinho Lutero, João Calvino, John Knox e Zwinglio foram mencionados em sermões e impressos em camisetas.

De fato, estes gigantes da fé merecem o nosso reconhecimento, pois têm biografias que mostram o evangelho em ação, o poder de Deus (Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego – Romanos 1:16). Se estivermos atentos, perceberemos que as biografias desses homens possuem pontos em comum. Vejamos:

Viver e morrer por Cristo – para o apóstolo Paulo o viver era Cristo e o morrer (por Cristo) era-lhe lucro (“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” – Filipenses 1:21). Os nossos irmãos reformadores viveram sob a mesma perspectiva, ou seja, tinham a Cristo, portanto tinham tudo. O lema de João Calvino era “Soli Deo Gloria”. Vivendo sob este lema, João Calvino afirmava que o fim último da sua existência era a glória de Deus. A mesma conduta pode ser observada no apóstolo Paulo, que não tinha a vida por preciosa, antes tinha a Cristo e o serviço a ele como o seu maior tesouro (Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus – Atos 20:24);

Exposição clara das Escrituras – mestres na arte da interpretação bíblica, é como classifico os servos de Deus supracitados. A vida devocional desses homens não se resumia a leituras descompromissadas dos textos bíblicos, mas leitura e exegese caminhavam juntas. Qual a finalidade disto? Autopromoção? Glória pessoal? Claro que não! A finalidade era dar para as ovelhas um alimento nutritivo e de fácil digestão, quer dizer, mostrar as maravilhas dos céus para os doutos e para os indoutos. Isso requeria um profundo conhecimento das Escrituras;

Vida coerente com a pregação – “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, um adágio popular mais vivido do que verbalizado. A pregação desses irmãos não estava apenas no âmbito dos seus discursos, mas se refletia em suas vidas quotidianas. Martinho Lutero, por exemplo, lutava contra a sua carne, pois entendia que se a pregação não estivesse refletida em sua vida de nada adiantaria os seus discursos;

É muito comum, ao lermos as biografias dos reformadores, deixarmos escapar um detalhe importante: eles eram homens comuns, pecadores e de corações corruptos (Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? – Jeremias 17:9), iguais a mim  e a você. Este detalhe tão importante evidencia para nós o poder de Deus, poder que resgata filhos das trevas e os transforma em filhos da Luz.

Sob a ótica da soberania de Deus, o reino de Cristo é expandido à medida que Ele resgata homens da perdição eterna, mostrando através destes a grandeza da Sua graça e bondade (E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus – Efésios 2:6,7). Se entendermos a conversão, saberemos que ela não é um fim em si própria, mas tem por fim a glória de Cristo.

Homens como Martinho Lutero, João Calvino, John Knox e Zwinglio “transtornaram” a época em que viveram e marcaram a história com exemplos de fé, coragem e amor pelo evangelho, todavia, o maior legado destes homens foi mostrar que Deus usa homens comuns para levar avante o seu propósito eterno.

Não somos Calvino ou Knox (nem precisamos ser), entretanto somos os reformadores da nossa época, chamados ao inconformismo (E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” – Romanos 12:2), comissionados como atalaias do Rei (“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz – 1 Pedro 2:9).

Não podemos viver a nossa vida cristã olhando para trás como se a reforma já estivesse concluída, somos uma igreja reformada sempre reformando. A reforma não terminou, os nossos pais abriram o caminho e o nosso papel, dentro do plano eterno, é alargarmos um pouco mais o caminho que fora aberto para que a futura geração venha e continue o trabalho de expansão.
Vivamos para Cristo, morramos por Ele! Aprendamos e ensinemos as Escrituras de maneira clara! Mantenhamos coerência entre a nossa vida e a nossa pregação! Transtornemos o mundo com o pode que emana da cruz de Cristo!

Esse texto foi escrito pelo leitor Jefferson Pereira para nossa seção “Leitor Inconformado”.
Jefferson é analista de sistemas, presbítero na Igreja Presbiteriana de Brotas, revisor do Inconformados, marido de Mara Cleide, e pai de Perla e Ágatha.
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