Simul Justus et Peccator (Série Doutrinária)

Posted by | outubro 10, 2017 | Devocionais | 2 Comments

Chegamos ao nosso último texto da série doutrinária baseada no Catecismo Maior de Westminster. Continuando o assunto do nosso último post, as perguntas 78 e 79 tratam de um dos temas mais reais e presentes nas vidas de todos os crentes: a santidade imperfeita. Vamos entendê-la melhor, tirar dúvidas e então refletirmos o quão é importante sabermos disso.

“Sou salvo, sou justificado em Cristo pela fé, mas ainda vejo a presença do pecado em minha vida! Sinto que quando faço uma boa obra vejo motivações carnais nela! Eu ainda luto contra pecados antigos, até mesmo pecados que cometia antes de me converter. Será que sou mesmo salvo?”

Como solucionar esse complexo enigma à luz da Palavra de Deus?

PERGUNTA 78: Qual é a causa da santificação imperfeita dos crentes?
R: A santificação imperfeita dos crentes decorre dos restos do pecado que residem em todos os seus membros e das incessantes concupiscências da carne contra o espírito; por isso são eles sempre desviados pelas tentações e caem em muitos pecados, são embaraçados em todos os seus serviços espirituais e as suas melhores obras são imperfeitas e manchadas à vista de Deus.

Vamos então aos versículos nos quais esta resposta se baseou:

• Romanos 7:18,19,22,23

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim não, porém o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. […] Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.

Aqui está um texto que é a perfeita ilustração da guerra interior do homem. Paulo confessa a Deus sua luta contra si mesmo e que ele tem caído, embora tenha prazer na lei do Senhor. Ele então, perplexo ao reconhecer ser um homem infeliz na carne, indaga quem o livraria desta morte, mas logo responde que Cristo Jesus é o seu Senhor e que ele é grato por ter uma mente escrava à lei de Deus.

Paulo não tem dupla personalidade, ele não é esquizofrênico, ele é apenas mais um exemplo de uma das mais incríveis frases originadas na Reforma Protestante e que R.C. Sproul afirmou ser o coração do Evangelho: “Simul Justus et Pecattor” – Simultaneamente justo e pecador.

Essa frase sintetiza a obra de Cristo na vida de um crente, e como ele passa a viver. Ao passo que somos aceitos por Deus em Cristo e somos declarados justos pela justiça de Cristo imputada a nós, em nossa carne permanecemos pecadores que carecem da glória de Deus.

• Tiago 3:2; 5:16; Filipenses 3:12-14; Eclesiastes 7:20

A santificação imperfeita dos crentes é um fato reconhecido pelas Escrituras. Tiago diz que “todos tropeçamos em muitas coisas” (3:2) e que devemos confessar os nossos pecados e orar uns com os outros para sermos curados (5:16). Paulo, de novo, mas em outra carta, afirma não ser perfeito embora busque a perfeição (Fp 3:12). E por fim, “não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque” (Ec 7:20).

Eu sei que isso não é muito fácil de entender, mas talvez a próxima resposta possa esclarecer suas dúvidas:

PERGUNTA 79: É possível aos crentes verdadeiros, devido às suas imperfeições e às muitas tentações e pecados que os tomam, caírem do estado de graça?
R: Os crentes verdadeiros, em razão do imutável amor de Deus, do Seu decreto e pacto para lhes dar a perseverança, da união indissolúvel deles com Cristo, da interseção contínua de Cristo em favor deles e do Espírito e da semente de Deus que neles permaneceu, jamais poderão cair completa ou definitivamente do estado de graça, antes são preservados pelo poder de Deus mediante a fé para a salvação.

Irmãos, o que essa maravilhosa resposta nos ensina é que nada poderá nos separar do amor de Cristo! Deus fez uma aliança inquebrável conosco, nos uniu indissoluvelmente ao Seu Justo Filho. Ele O exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome (Fp 2:9), e este Jesus Governador nos tem em Suas fortes mãos para sempre.

Se caindo pecarmos, Deus não falhou ou perdemos a salvação. Nós seremos levantados por Ele, confiados na mediação de Cristo, o nosso Sumo Sacerdote, e então perseveraremos na Fé. Ele nos amou com amor eterno e com benignidade nos atraiu (Jr 31:2). O Seu amor imutável, a Sua Fidelidade a Si e Seu Espírito nos são garantias de que somos os “da fé, para a conservação da vida” (Hb 10:39)

Isso não deve ser um desânimo para o crente zeloso e nem um estímulo para o pecador libertino, mas sim uma convicção correta do que é a vida cristã. É um dever que a perfeição seja sempre buscada, mesmo que não seja plenamente alcançada.

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About Samuel Figueiredo

19 anos, estudante de Letras na UFBA, soteropolitano, solteiro e congrega na Igreja Presbiteriana de Brotas.

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