Se ame menos

Posted by | maio 19, 2017 | Reflexão | No Comments

Isso vai entregar minha idade: no ano em que me formei no Ensino Médio, Foreigner lançou seu megahit pop, “I Want to Know What Love Is” (Eu quero saber o que é o amor).

Esse clássico da poderosa balada dos anos 80 ganhou platina, não por causa dos seus versos vagos e incoerentes, mas porque, creio eu, seu refrão pergunta uma profunda e universal questão: o que é o amor?

O que é o Amor?

Sabemos que a produção de Foreigner entendeu isso, pelo menos intuitivamente, como uma questão religiosa, porque a canção se transforma em um coro de hino evangélico no final. Todos nós compartilhamos sua intuição.

Sabemos que eros é mais do que sexo, e ágape é mais do que sacrifício. Sabemos que amor é mais do que um sentimento, mas, certamente não é menos do que um sentimento. Sabemos que não é apenas uma decisão, e sabemos que isso requer resoluções. Sabemos que não se trata de apenas um substantivo, verbo ou adjetivo.

Nossas maiores histórias, canções, poemas, até mesmo nossos cartões de felicitações, todos testemunham que sabemos que há algo transcendente e definitivo sobre o amor. Não podemos deixar de atribuir-lhe qualidades místicas, até metafísicas. Mesmo com todas as palavras que damos ao amor, ele não pode ser simplesmente contido em uma linguagem humana. Como beleza ou glória, é mais fácil apontar para o amor do que defini-lo.

Isso é uma pista.

O amor constantemente presente de Deus

Amor, assim como beleza e glória, é uma experiência humana da constante presença de Deus. Todos nós sabemos que o amor é transcendente porque nós naturalmente sabemos que “Deus é amor” (1Jo 4:8).

O conhecimento de que o amor está destinado a ser algo sagrado é uma memória profunda, frequentemente suprimida na alma humana de que Deus existe (Rm 1:18-19), que Ele é Santo (Ap 4:8), e de que o amor está no centro de Sua natureza. Portanto, o amor, em todas as suas imaculadas formas, procede de Deus (1 Jo 4:7), e é por isso que está além de palavras: o amor é, em última análise, indizível e cheio de glória (1 Pe 1:8).

Isso faz do amor um apologeta obstinado, um martelo coberto de veludo esmagando as afirmações vazias e materialistas. O amor tão somente se recusa a ser reduzido a uma ilusão genética ou a um consciente auto-interesse que a biologia evolucionista especula que tenhamos adaptado para sobreviver. Nós todos sabemos melhor. Isso não é amor.

Os seres humanos em todas as culturas sempre admiraram a abnegação, até mesmo expressões de amor sacrificiais, do que atos desesperados de autopreservação. O Cristianismo, com o seu Deus que se auto sacrificou, não criou essa admiração. Isso simplesmente se encaixa da forma mais bela e gloriosa forma de amor que as nossas almas mais admiram e profundamente desejam – como a peça perdida do quebra-cabeça que sempre procurávamos.

O amor aponta para Deus. E nós sabemos disso. O nosso maior problema é que o deus que queremos ver no final do ponteiro, geralmente, é um deus falso.

O Fim do Amor

O ano seguinte após Foreigner implorar para saber o que o amor é, Whitney Houston cantou a famosa resposta: “Aprendendo a amar a si mesmo: é o maior amor de todos.” Isso também soou como uma canção vinda diretamente da igreja.

Mas é um louvor para um diferente deus, porém, familiar a todos: o próprio eu. Ele celebra o trágico mito que a humanidade caída sempre quis tanto que fosse verdade: nós somos dignos do nosso próprio amor supremo e adoração.

É um mito trágico porque, quando crido, prova ser a morte do amor. Faz de um errado deus o objeto e fonte do principal amor (“o maior amor de todos”). Nós não somos o amor, e o amor não procedeu de nós, porque nós não somos Deus.

Deus é amor. E quando o amor é dissociado de Deus, ele perde o seu verdadeiro significado. Quando fazemos de nós mesmos o principal ponto de referência para o amor, ele se transforma em qualquer coisa que cada um de nós desejemos que ele seja.

Todo mundo ama e odeia à maneira que é certa aos seus próprios olhos.

Esse é o mundo como o conhecemos. É a história humana: a rejeição de Deus resultando na enfermidade e desintegração do amor. Definir o amor para si mesmos tem levado os homens a se tornarem extremamente “egoístas” (2 Tm 3:2), e assim viverem “segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos… por natureza, filhos da ira” (Ef 2:3).

Não é difícil de entender por que há tanta confusão, corações partidos e violência no mundo. Muitas das coisas horríveis que vemos no noticiário são o que a desintegração do amor se parece.

Amar-nos supremamente não é o maior amor de todos. É o fim – a morte – do amor.

O Fim do Egoísmo

Esse é o porquê da mensagem cristã ser boas novas para todos aqueles que realmente querem saber o que o amor é.

O Deus do amor, o Deus que é o amor, o Deus do qual todo o amor procede, nos amou de tal maneira que deu o Seu Filho para ser o amor encarnado e amorosamente sacrificar-se a si mesmo para libertar todos os que creem nEle da escravidão suicida do extremo amor próprio (Jo 3:16). Jesus nos mostrou o que é o amor, o maior amor de todos: “de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15:13).

Mas Jesus não está contente em nós meramente observarmos e admirarmos o Seu amor. “Para liberdade foi que Cristo nos libertou” (Gl 5:1). Nossa liberdade é mais do que apenas ser amado; é estar envolvido plenamente na experiência, na comunhão do amor, amando a Deus e ao próximo: “assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo 13:34).

E amar da maneira como o Amor ama significa algo como morrer para si mesmo, assim como “Cristo deu a vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (1 Jo 3:16). Mas, assim como a adoração a si mesmo prova ser a morte do amor em um mundo caído, essa abnegação prova ser a ressurreição do amor neste mundo caído.

O amor de Cristo na vida do crente é a morte do egoísmo e o antegozo do que Jonathan Edwards chamou de céu: “Um mundo de amor”.

Todos os que desejam saber o que é o amor precisam olhar para quem é o amor. Porque Deus é amor. E se nós quisermos experimentar o verdadeiro amor, nós precisamos amar assim como Ele nos amou.

Este post é uma tradução de um artigo de Jon Bloom, publicado originalmente no blog Desiring God, traduzido e publicado com permissão do autor. O artigo original pode ser encontrado no link: Love yourself less
jon_bloomJon Bloom é presidente da Desiring God e autor de Not by Sight (2013) e Things Not Seen (julho 2015). Ele vive em Twin Cities com sua esposa, Pam, seus cinco filhos e um cachorro desobediente.

 
 
 
 

By John Piper. ©2017 Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org
* Traduzido por Samuel Figueiredo
* Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, link do blog INCONFORMADOS, tradutor, blog original, não altere o conteúdo e não utilize para fins comerciais.

* Créditos da imagem

Posts Relacionados

About Inconformados

Leave a Reply

Your email address will not be published.