5 Lições das Mulheres da Reforma

Posted by | outubro 27, 2017 | História, Para Mulheres | No Comments

Mulheres que viveram durante a Reforma Protestante podem nos dar uma perspectiva única da vida cristã. Elas não ensinaram dos púlpitos, mas elas ensinaram a partir de impressoras, salas de trono e hospedarias.

Aqui temos 5 coisas que podemos aprender dessas mulheres.

1. O Poder de Jesus

Em um convento alemão, Katharina Von Bora leu os escritos de um monge rebelde sobre justificação pela fé somente. Em algum ponto, o evangelho a trouxe da morte para a vida. O resto da sua vida produziu serviço para seu esposo (Martinho Lutero), filhos, igreja e para o Senhor. Nós estamos tão acostumados com sua história que não nos maravilhamos mais com ela. O fato dos escritos condenados de Lutero entrarem em um convento demonstra o poder da Palavra: ela pode ir para qualquer lugar e fazer o seu trabalho. O erro institucionalizado não é suficiente para parar Jesus.

Nem mesmo o coração não crente de uma freira é obstáculo: pessoas doutrinadas em mentiras desde a infância podem ter seus olhos abertos para verem a verdade. O poder de Cristo também deu a Katharina força para superar uma vida de preocupações, finanças apertadas, enjoos matinais, ervas e lavanderia – problemas reais. Unida a Cristo em salvação, o trabalho de Katharina foi evidente através do seu trabalho incrível para a Igreja Protestante. Jesus continua fazendo a mesma coisa hoje, tornando a força Dele perfeita em nossa fraqueza.

2. A sacralidade do gabinete pastoral

Enquanto a Reforma sacudia a Europa, um efeito social significativo foi o fechamento de diversos conventos. Um número grande de mulheres de repente teve que encontrar novos lugares para viver, novas ocupações e novos relacionamentos. Quando o monasticismo morreu em terras protestantes, duas coisas aconteceram concomitantemente: mulheres perderam seu trabalho na igreja que elas ocupavam como freiras, e ganharam igualdade espiritual com os homens. De repente não havia mais ofícios eclesiásticos para mulheres (que era algo somente para aqueles considerados bons o suficiente ou ricos o suficiente). Ao invés disso, todas as mulheres cristãs aproveitaram o beneficio de serem membros na congregação dos santos.

Enquanto os ofícios de autoridade eclesiástica – como pastores ou presbíteros – eram abertos apenas para homens, a congregação dos santos criou respeito para as mulheres e abriu portas que o Catolicismo Medieval havia fechado. Marie Dentire e Katharina Zell publicaram trabalhos teológicos baseados nas Escrituras. Anna Bullinger e Margarethe Blaurer deram um real alívio aos pobres. Anna Zwingli e Katharina von Zimmern serviram no conselho de suas cidades.

As mulheres também tiveram uma nova relação com os pastores baseada em uma nova reverência ao gabinete pastoral. Porque esses ministros tinham sua autoridade derivada da Palavra de Deus, não de Roma, essas mulheres poderiam ter um respeito genuíno e verdadeiro pelos pastores e seus ensinamentos. A Reforma fundamentalmente modificou o relacionamento entre as mulheres e a Igreja abrindo o ministério leigo para todas as mulheres e dando a elas pastores que se preocupavam com suas almas de maneira bíblica. Essa é uma boa lembrança para nós enquanto lutamos para poder esclarecer os papeis dos gêneros hoje.

3. A necessidade de autonegação

Nossa cultura promove autoindulgência. Nós estamos tão imersos na necessidade de conforto que é difícil para nós ver a extensão disso. O trabalho de mulheres cristãs do século 16 nos ajuda a aclarar essa neblina. Por que a Igreja era tão frutífera nessa época? Por que mães ocupadas escreviam trabalhos teológicos e hospedavam centenas de pessoas? Por que rainhas abusadas se voluntariaram para fazer guerras? Por que mulheres tomaram decisões que as conduzia à morte? Por que elas entenderam João 3:30: “Que Ele cresça para que eu diminua.

A satisfação pessoal não estava no radar. De fato a autonegação as amadureceu ao ponto dessas mulheres poderem diariamente morrer para si mesmas, desistir de posições, dinheiro, segurança pessoal e até mesmo as pessoas que elas amavam para em lugar disso servir a Igreja de Cristo. Tudo era inferior a essa missão.

É por isso que alguém como Katherine Willougby pôde se afastar de estados e posições, pois mantê-los significava negar a Jesus. Sem uma autonegação habilitada pelo Espírito, nós não amadureceremos na fé e não daremos frutos. Ao pegar a cruz delas e seguir a Cristo, as mulheres da reforma estavam habilitadas para fazer o bom trabalho que Deus preparou para elas (Ef. 2:10). Em nossa cultura conduzida pelo conforto, elas servem de exemplo para nós.

4. A autoridade da fidelidade

Uma coisa interessante sobre as mulheres protestantes da era reformada é que poucas possuíam “carreiras” ou “ministérios”. As solteiras, como Margarethe Blaurer, eram devotadas aos seus irmãos e convidados. As casadas trabalhavam duro como mães e esposas. Funções formais fora de casa não eram comuns entre as mulheres da Reforma. Contudo, praticamente cada uma delas teve um impacto massivo fora de suas casas – seja escrevendo (como Argula von Grumbach), lutando na guerra (como Jeanne d’Albert), criando os filhos (como Louise de Coligny), ou conseguindo uma boa legislação (como Catherine d’Bourbon).

A fé delas nas pequenas coisas também era conhecida. Como esposas, mães, governantas, paroquianas, hospedeiras e amigas elas eram líderes e modelos. O mesmo é verdade hoje. Enquanto nós servimos de forma fiel em uma variedade de coisas (querendo ou não nosso trabalho é visto pelos outros), nós influenciamos a Igreja de Deus. Pequenos atos diários de fidelidade constroem uma vida de integridade e credibilidade.

5. A urgência em obedecer

A Europa do Século 16 não mudou por causa de três ou quatro homens inteligentes que escreveram novos trabalhos em teologia. A Europa mudou porque cristãos comuns fizeram uso constante dos meios de graça. Mulheres se devotaram à pregação pública da Palavra, uso correto dos sacramentos, oração, estudos particulares, comunhão com os crentes e o jejum. Eles abriram suas casas para os cultos, foram facilitadores de implantação de Igrejas, frequentaram os cultos sem falha, distribuíram bíblias, fundaram seminários, e se preparavam cuidadosamente para a Ceia.

A igreja visível é santa somente pela soma das partes. Programações não irão criar santificação institucional – o catolicismo medieval provou isso. Santidade por outro lado, irá mudar o mundo. Se nós queremos que a Igreja nos dias atuais cresça, mais eventos, ou livros cristãos, ou estratégias de liderança não são a resposta. Adoração é. A participação cuidadosa na mesa do Senhor é. Reunião de oração é. Quando o povo de Deus faz uso desses meios ordinários, pessoas comuns brilham na escuridão.

Isso aconteceu 500 anos atrás e pode acontecer de novo.

Este post é uma tradução de um artigo de Rebecca Vandoodewaard, publicado originalmente no blog The Gospel Coalition, traduzido e publicado com permissão da autora. O artigo original pode ser encontrado no link: 5 Lessons from Reformation Women
Rebecca VanDoodewaard é dona de casa, editora free-lancer e escritora. Ela é esposa do Dr. William VanDoodewaard, ministro da Associate Reformed Presbyterian Church e professor de História da Igreja no Puritan Reformed Theological Seminary, com quem tem 3 filhos. O casal bloga no “The Christian Pundit”.

 

 * Traduzido por Marcela Mello
* Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, link do blog INCONFORMADOS, tradutor, blog original, não altere o conteúdo e não utilize para fins comerciais.

* Créditos da imagem

Posts Relacionados

About Inconformados

Leave a Reply

Your email address will not be published.