Envergonhado do meu corpo

Posted by | junho 16, 2017 | Reflexão | No Comments

Não me lembro a primeira vez que eu odiei meu corpo, mas lembro o quanto foi ruim. Olhei no espelho e percebi que meu corpo não era perfeito, sem defeito, e não era como “deveria” ser. Lembro-me de ficar doente de vergonha.

Tornar-se adolescente traz alegrias fantásticas, mas também traz muitas novas dificuldades. Um dos mais penetrantes e incapacitantes é a vergonha do corpo. Vivemos um tempo precioso e precário em nossa infância quando não sentimos vergonha por nossos corpos. Os vemos como nossas máquinas, ferramentas para comunicação e auto-expressão, o catalisador para nossas brincadeiras, perfeitamente aceitável para nós em suas funcionalidades. Nós somos conscientes de nós mesmos, mas não autoconscientes.

Então, envelhecemos e acontece alguma coisa (ou talvez muito aconteça), e as mensagens culturais começam a se infiltrar em nossas mentes e a poluir nossas percepções. E um dia percebemos que a beleza é mais importante do que a função, e nosso corpo não é bonito. Nós ficamos perguntando a nós mesmos, como eu nunca percebi o quão feia eu sou, quão gorda eu sou, quão estranho eu sou, como (preencha sua palavra de vergonha) eu sou?

Todo humano, desde a queda de Adão e Eva tem lidado de alguma forma ou de em algum grau com a vergonha do corpo, mas isso é particularmente novo, pesado e pandêmico durante a adolescência – especialmente na encruzilhada de uma cultura hiper-conectada e hiper-sexualizada. Os adolescentes são treinados para ter obsessão com seu corpo e se conformam com um padrão de punição que perpetua falhas e desprezo. Eles constantemente ouvem mensagens conflitantes – primeiro é “ame seu corpo”, e então é “você precisa de um corpo de praia”. Ou melhor, eles ouvem e veem mensagens conflitantes – uma que é ensinada, mas outra que é vivida, modelada e rebocada no Instagram.

Seguir a Cristo não isenta os adolescentes da vergonha corporal. Eu acho. Desesperadamente acho. Mas nos equipa com verdades do evangelho para combater a mentira, a pressão e as tentações que enfrentamos. Aqui estão seis das quais estou apegada.

1. Nossos corpos não são o problema.

Deus criou nossos corpos físicos e os declarou bons (Gênesis 1:31). Mas na frustração da vergonha, somos tentados a odiar nossos corpos (Gênesis 3:7). Eles se tornam o problema e o inimigo. Nós agimos como gnósticos adolescentes, acreditando que o corpo é arbitrariamente mal e precisamos ser liberados dele. Mas o problema não é com os nossos corpos; é com a nossa perspectiva – uma perspectiva atraída pelo pecado. Nós detestamos nossos corpos porque confundimos o dom de Deus como uma maldição. Somos enganados pelo foco em nós mesmos e pelo orgulho.

2. Você é mais que seu corpo.

Como adolescentes, é difícil não equiparar nosso corpo com o nosso valor. A atratividade parece uma moeda que lhe oferece privilégios especiais. Quando olhamos ao redor, parece que aceitação, alegria e popularidade dependem apenas de aparência. Não somos mais do que nossos corpos. Mas idolatrar o corpo é tão ruim quanto odiar o corpo.

Deus não nos ama por causa da nossa aparência. Ele nos ama por causa de sua graça livre (Efésios 2: 4-10). Ele não nos valoriza por causa de nossos corpos. Ele nos valoriza por causa de quem somos em Cristo (Tito 3: 4-7). Ele nos fez com pensamentos mentais e sentimentos, e temos uma beleza que não é externa (1 Pedro 3: 3-4).

3. A comparação é tóxica.

Seu corpo é único, formado pelo seu Criador para exibir sua glória nas complexidades do seu rosto, braços, estômago, pernas. Por isso, a comparação é infrutífera e fatal. Então, onde é que deixamos as mídias sociais, o lugar que poderia ser descrito como uma fábrica de comparação? Simplificando, você pode ter que sair disso. Para alguns adolescentes, essa é a resposta – a chave para a cura, o contentamento e a felicidade.

Mas para outros adolescentes, a resposta é uma mudança radical no foco. Em vez de olhar para as mídias sociais como um lugar para posar – para filtrar e editar a nossa vida, para medir o nosso estado, para avaliar os outros – podemos usá-lo como um lugar para autenticamente celebrar a vida. Podemos usá-lo como um lugar para compartilhar, rir, aprender e ser gentil. Podemos ter que limpar nossa lista de seguidores, excluir postagens, ou mesmo começar de novo, mas com a mentalidade certa, é possível usar as mídias sociais para comemorar e não se envergonhar.

4. Seu corpo irá se desgastar.

Parece deprimente, mas a realidade é que este corpo terreno irá falhar. Você ganhará e perderá peso, enrugará, enfraquecerá, encolherá e se inchará. E então você vai morrer, e seu corpo retornará ao pó. Portanto, se preocupar e se estressar sobre o seu corpo é inútil.

5. Você é chamado para administrar seu corpo.

Ao mesmo tempo, ainda somos chamados a cuidar do nosso corpo. É um recurso dado por Deus, o que significa que não temos uma licença para abusar (1 Coríntios 10:31). Trate seu corpo gentilmente. Alimente bem. Se exercite. Use-o para boas obras. Administre para fins sagrados e saudáveis. Porque um dia seu corpo (este corpo!) será gloriosamente redimido e usado para servir perfeitamente a Deus para sempre.

6. Lute contra a insegurança com a verdade.

Como o arame farpado invisível, a insegurança atravessou a minha adolescência. A primeira coisa que eu lembro foi de odiar minhas sobrancelhas. Então, minhas orelhas. Então meu nariz. Então meu corpo inteiro. E eu sabia que não deveria. Mas a insegurança parecia me debilitar, me paralisar e me levar a uma fraqueza avassaladora. E a única maneira de lutar contra isso é com a verdade.

Eu escolho minha auto-piedade no chão do banheiro e pergunto: “O que eu sei ser verdade?”, não “O que eu sinto ser verdade?” Mais uma vez, eu faço isso, porque repetidas vezes eu sou insegura.

Então, tenho que pregar a verdade ao meu coração:

Eu fui feita de um modo assombrosamente maravilhosamente e propositadamente (Salmo 139:14).

Eu estou em Cristo, e nada pode mudar isso (Colossenses 3:1-3).

O objetivo do meu corpo não é a atração dos outros, mas a adoração de Deus (1 Coríntios 6:20).

Sou completamente amada (1 João 4:9-11).

A totalidade é encontrada quando estou satisfeita em Deus (Salmo 90:14).

Não é sobre mim. É sobre Ele (Gálatas 2:20).

Este post é uma tradução de um artigo de Jaquelle Crowe, publicado originalmente no blog Desiring God, traduzido e publicado com permissão da autora. O artigo original pode ser encontrado no link: Ashamed of My Body
16062235Jaquelle Crowe (@JaquelleCrowe) é uma escritora de 19 anos do leste do Canadá. Ela é formada pela Thomas Edison State University e é editora-chefe da TheRebelution.com. Ela é a autora de This Changes Everything: How the Gospel Transforms the Teen Years (2017). Você pode encontrar mais sua escrita em jaquelle.ca.

 
 

By John Piper. ©2017 Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org
* Traduzido por Aline Brandão
* Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, link do blog INCONFORMADOS, tradutor, blog original, não altere o conteúdo e não utilize para fins comerciais.

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