Eleição Incondicional (Unconditional Election)

Posted by | julho 18, 2014 | Tulip | No Comments

O mais belo nas doutrinas da graça é a lógica existente entre um ponto e outro. Isto me fascinou bastante quando comecei a estudá-los e até hoje fico de queixo caído diante da beleza do evangelho revelada por meio desses pontos teológicos.

No primeiro ponto vimos que somos totalmente depravados. A queda do homem em Adão nos tornou totalmente inaptos para agradarmos a Deus, para cumprirmos a sua vontade. Isso precisa ficar muito claro em nossas mentes: nossa depravação é total; sem o benefício do novo nascimento obtido por Cristo na cruz e comunicado a nós pelo Santo Espírito, somos dignos tão somente da ira do Deus Todo Poderoso.

Pois bem, dito isto podemos avançar para o segundo ponto. A eleição incondicional nada mais é do que a demonstração da graça e misericórdia de um Deus perdoador. A primeira vez que ouvi sobre esse ponto pensei que seria “injusto”, pois nos diz que Deus elegeu algumas pessoas para serem salvas. Ele não escolheu toda a humanidade, mas algumas pessoas. No entanto, quando notamos que ninguém merecia perdão e toda a humanidade estaria destinada ao inferno, aí sim perceberemos a mão misericordiosa de Deus.

Minha intenção neste texto é demonstrar que a eleição incondicional além de lógica é acima de tudo bíblica. E assim, à medida que entendemos esta doutrina nos damos conta, ainda mais, da beleza do evangelho. Para que isso ocorra precisamos recorrer às Sagradas Escrituras, buscando nelas o real conhecimento. Com a finalidade de fundamentar esse ponto iremos dividi-lo em 3 aspectos, baseados no texto de Romanos.

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”
Romanos 8:29

1 – Deus escolhe

É assustadora a quantidade de textos bíblicos que nos mostram a eleição divina de forma tão clara. Quando comecei a ler sobre o assunto percebi quão pouco conhecia as Escrituras e como de fato pecamos por não conhecê-las (Mt. 22: 29). A Bíblia nos revela que Deus, antes mesmo da fundação do mundo, já havia escolhido os seus eleitos, aqueles por quem Cristo morreria.

“E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: o mais velho será servo do mais moço. Como está Escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.
(Rm. 9: 11 – 13).

“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto”
(Jo. 15: 16a).

“Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele, e em amor”
(Ef. 1: 4).

Essas e outras passagens nos mostram que é Deus quem escolhe o seu povo e não o contrário; que Ele mesmo foi quem os elegeu e predestinou para que em Cristo fossem feitos seus filhos. O sacrifício de Jesus foi pelos eleitos de Deus, tão somente por eles, Ele não morreu por ninguém que posteriormente o rejeitaria. Todos pelos quais de antemão predestinou serão levados a Ele por intermédio do Espírito Santo.

2 – Deus os elegeu INCONDICIONALMENTE

O que a palavra incondicionalmente significa é isso: não havia absolutamente nada nos eleitos para despertar a compaixão Divina. E apesar deles, a sua soberana vontade foi realizada. É complicado pensarmos por esse ângulo, mas é exatamente isso: não havia nada em nós de bom para poder ser visto ou anelado pelo Senhor, vimos isso no primeiro ponto. Ele não fez sua escolha por qualidades ou inclinações, mas tão somente baseado em sua vontade.

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.”
(Rm 5: 8).

“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu filho como propiciação pelos nossos pecados.”
(I Jo 4: 10).

“nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade.”
(Ef 1: 5).

“Porque, se nós, quando inimigos fomos reconciliados com Deus mediante a morte de seu Filho, muito mais estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida ”
(Rm5: 10).

“Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão.”
(Rm 9: 14 – 15).

“Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz.”
(Rm. 9: 18).

3 – MUITOS e não TODOS

Pelos textos bíblicos indicados nos outros dois tópicos concluímos que Deus reservou alguns para serem feitos seus filhos. Pensando de forma lógica, se o sacrifício de Cristo fosse destinado a todas as pessoas sem distinção, teríamos pessoas nesse momento no inferno pelas quais Cristo morreu. Afirmar isso é uma imensa heresia, é o mesmo que dizer que o sacrifício de Jesus foi ineficaz, já que nem todos teriam sido de fato resgatados. Contudo, Deus reservou para Si um número específico, e todos estes serão alcançados através do Seu chamado irresistível, o que veremos nos próximos pontos.

O segundo ponto do calvinismo estabelece o fato de que não nos achegamos a Deus por nossa vontade. Foi Ele quem escolheu, não por haver alguma qualidade especial nos seus eleitos, mas somente pelo seu querer. Esse ponto mais uma vez nos humilha, exaltando assim a soberania de Deus. Não somos nós que nos achegamos a Ele, mas é Ele mesmo que separa um povo para Si.

Isso nos constrange a vivermos de modo digno deste Deus. Além disso, precisamos proclamar as suas verdades, pois usar a doutrina da eleição como desculpa para não evangelizar é simplesmente compreendê-la de forma distorcida. Entendemos que é o Senhor quem escolhe e salva, tirando de nós toda responsabilidade sobre esse aspecto, mas ao mesmo tempo nos move para proclamarmos suas virtudes. A compreensão correta desse ponto irá nos levar a um evangelismo mais coerente com as Escrituras e não negligenciá-lo.

Gosto de lembrar que as doutrinas da graça falam muito a nosso respeito de forma pessoal. Se o primeiro ponto revela o nosso coração pecaminoso, o segundo nos mostra um Deus amoroso e perdoador! Qualquer dúvida que você tenha, envie uma mensagem. Ficaremos felizes em lhe responder.

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About Marcela Mello

26 anos, solteira, formada em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia, nasceu em Salvador-BA e congrega na Igreja Presbiteriana de Brotas.

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