É preciso ser santo? (Série Doutrinária)

Posted by | setembro 26, 2017 | Devocionais | No Comments

Continuando a série doutrinária baseada no Catecismo Maior de Westminster, a pergunta 75 será a base deste texto; ela aborda um dos maiores temas da Bíblia: Santidade.

A palavra “santo” (No grego άγιος, hagios) aparece 215 vezes somente no Novo Testamento. A santidade de Deus está impregnada em toda Sua Palavra, por isso, é necessário ter uma visão clara do que é santidade, qual é o seu propósito e como se aplica hoje. Vamos então à pergunta:

PERGUNTA 75: O que é a santificação?
R- A santificação é uma obra da graça de Deus, pela qual aqueles a quem Ele escolheu antes da fundação do mundo para serem santos são, no tempo devido – pela operação poderosa do Seu Espírito ao aplicar-lhes a morte e a ressurreição de Cristo – renovados em toda a sua humanidade à imagem de Deus; têm as sementes do arrependimento para a vida e recebem em seus corações todas as demais graças salvadoras que são estimuladas, aumentadas e fortalecidas para que eles morram mais e mais para o pecado e ressuscitem em novidade de vida.

Diferente da justificação, a santificação é uma obra da graça de Deus, e não um ato. A justificação é um ato livre de Deus em que Ele converte o seu coração pelo Espírito, e então faz você crer em Cristo, através da fé que Ele mesmo te dá (Gl 2:16). A justiça de Cristo é imputada a você junto com o perdão dos pecados.

Por se tratar de uma obra, a santificação é um processo contínuo que durará toda a vida do crente. Isso é muito importante, porque pensamentos equivocados podem causar grandes problemas à fé do crente e à Igreja de Cristo.

Ao sermos convertidos isso não significa que nunca mais iremos pecar, somos libertados do domínio do pecado (Rm 6:14), mas não da presença do pecado (Rm 7:18-23). Não estou querendo dizer que o crente pode pecar à vontade, pelo contrário, “todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado” (1 Jo 3:9), “todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu” (1 Jo 3:6) e que “se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2:15). A carne precisa ser mortificada e Cristo precisa ser santificado em nossos corações.

O que quero dizer é que a nossa santificação é imperfeita nesta vida, e somente na glorificação, após a nossa morte, é que o pecado não mais existirá em nossa natureza e seremos santos como Ele é (1 Jo 3:2). Este assunto será tratado melhor no próximo texto da série.

Com esta certeza, vamos então aos versículos que o CMW utiliza como base para esta maravilhosa resposta:

• Efésios 1:4 e 1 Tessalonicenses 2:13

Assim como nos escolheu nEle antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele;” (Ef 1:4)

Paulo aqui nos ensina que aqueles que foram escolhidos por Deus assim o foram para um propósito de se tornarem santos e irrepreensíveis.

Aqui já cai por terra aquele pensamento: “a doutrina da predestinação permite o crente pecar já que ele é um predestinado”. O que aprendemos nesse texto é aquilo que o puritano John Owen disse: “O Senhor Jesus não leva para o céu alguém que Ele não tenha santificado na terra”.

Isso significa que é incoerente um “eleito” viver na prática do pecado. O fato de ele viver no pecado já nos é um sinal de que talvez ele não seja eleito.

Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes” (1 Ts 2:13).

Paulo dá graças a Deus porque a Palavra que eles receberam fora acolhida, ou seja, eles creram no Evangelho e em seguida o que acontece? “A Palavra de Deus está operando eficazmente em vós”, diz Paulo, demonstrando justamente, que a Palavra acolhida para salvação agora opera eficazmente neles para santificação.

Não há como alguém ter sido impactado pela Palavra da Verdade e não trazer nenhuma mudança no seu dia a dia e no seu coração; a mudança de mente e rumo é uma marca da conversão verdadeira.

• Romanos 6:4,5

Fomos, pois, sepultados com Ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com Ele na semelhança de sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição;

A nossa união com Cristo é outro motivo pelo qual a santidade é uma dever e uma consequência após a salvação. Devemos ser Seus imitadores, andar como Ele andou porque estamos unidos a Ele inseparavelmente, e isso implica grandes mudanças internas e externas.

Paulo diz que assim como Cristo foi sepultado, o nosso velho homem deve ser sepultado também. Não podemos esperar uma ressurreição com Ele se não tivermos morrido, para nós e para este mundo, como Ele fez.

Paulo ensina a lógica inevitável do viver em santidade. Ora, se somos salvos, devemos nos considerar mortos para o pecado e vivos para Deus, e consequentemente “não reine, portanto, o pecado em vosso corpo moral, de maneira que obedeçais às suas paixões.” (v. 12).

“Entendi que é ilógico ser crente e não ser (ou pelo menos querer e tentar ser) santo, mas eu não consigo deixar o pecado”.

Irmãos, a luta contra o pecado não é fácil. Não há nada de bom dentro de nós, e nesta luta não há descanso porque o nosso inimigo somos nós mesmos. Como lutar contra essa força?

Somente uma força infinitamente maior, somente pela graça que opera eficazmente em nós diariamente dada pelo Espírito, somente pelo braço forte do nosso Deus que é refúgio e fortaleza, somente através Cristo, em quem todas as coisas foram criadas, subsistem e são governadas.

Penso que muitas das nossas quedas se dão por esquecermos quem Deus é, o que Ele fez e Suas promessas. Precisamos lembrar que o amor de Cristo nos constrange. Precisamos olhar para Ele e ver que a causa principal dEle ter morrido na cruz é de que Deus é Santo e nós não, e que Ele a suportou para nos libertar do pecado e para abrir um livre caminho a Deus e à comunhão com Ele.

Toda a Trindade está agindo poderosamente em nossa santificação e podemos ainda estar cansados e pessimistas quanto a ela? Creiamos, meus irmãos, na fidelidade de Deus que a obra começada em nossos coração será concluída! O que pode ser difícil demais para Ele?

Ele nos prometeu dar um coração novo e Seu Espírito para amarmos e guardamos a Sua Palavra (Ez 36:26). Perseveremos com oração, alegria, fé e amor, em Cristo! Peça humildemente ao Senhor em oração por um novo coração que não ache os mandamentos dEle penosos e pesados, mas que olhe para eles com prazer os considerando espírito e vida! (Jo 6:63)

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About Samuel Figueiredo

19 anos, estudante de Letras na UFBA, soteropolitano, solteiro e congrega na Igreja Presbiteriana de Brotas.

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