Depravação Total (Total Depravity)

Posted by | Maio 16, 2014 | Tulip | No Comments

“Como está escrito: não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.”
Romanos 3:10-12

Como é impactante pensar que não prestamos. Confesso que foi tão difícil entender esse ponto no início quanto foi agora escrevê-lo, por motivos diferentes é claro. Compreender que você é totalmente depravado é de fato complicado. Lembro que relutei bastante em aceitar isso, mas sem a compreensão correta desse ponto não poderemos avançar, por isso foi tão difícil escrevê-lo; eu me vi fazendo várias pesquisas para poder me sentir apta a ponto de colocar no papel aquilo que um dia Deus colocou em meu coração.

Para entendermos melhor esse aspecto doutrinário precisamos voltar ao começo da Revelação de Deus, no livro de Gênesis. Quando Adão pecou (Gn. 3) como o representante da raça humana acabou relegando-a a essa natureza corrompida, como podemos ver em Romanos: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm. 5: 12). Já nascemos mortos em nossos delitos e pecados; por mais louco que isso possa parecer, antes mesmo de sairmos do ventre já somos escravos do pecado, “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl. 51: 5). Nesse texto, o Espírito Santo nos revela que antes mesmo de cometermos um ato visível que desagrade a Deus, por conta do pecado em Adão, somos por natureza odiosos diante de um Deus tão santo e puro, como vemos em Habacuque “Tu és tão puro de olhos que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar…” (Hc. 1: 13a).

Por causa disso, pelo pecado cometido em Adão, todos, absolutamente todos são escravos do pecado e de Satanás: “Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado.” (Jo. 8: 34), “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos.” (Jo. 8: 44a). Esses são dois textos bastante fortes, é assustador pensar sob essa perspectiva (acreditem, eu sei disso); foi impactante perceber a verdade sobre minha natureza completamente corrompida. Mas a Palavra de Deus não deixa dúvidas: somos filhos da desobediência até que Deus nos dê olhos para ver e ouvidos para ouvir as verdades preciosas de seu evangelho (Ef. 2: 2- 10).

A consequência da queda é a morte: “porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn.2:17b), os nosso representantes não morreram fisicamente no momento em que comeram do fruto, mas naquele instante obtiveram uma morte espiritual. Essa morte espiritual acompanha a humanidade desde então, “assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm. 5: 12b), e como mortos somos incapazes de resolver nosso problema diante de Deus, não conseguimos obedece-Lo, pois não podemos lutar contra o pecado.

Você pode estar um pouco tonto com tudo isso, mas o que esse arsenal de textos bíblicos nos mostra é que estamos completamente atados ao pecado, totalmente dispostos a servir ao diabo e inteiramente afastados de Deus; não conseguimos agradá-Lo, não podemos obedece-Lo já que o nosso coração tem somente desejos maus: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.” (Mt. 15:19). Sem o novo nascimento, tudo o que fazemos é desagradar a Deus. Claro que existem atos de bondade nos homens, mas esses atos são aspectos da graça comum dada por Deus, que nos impede de alcançarmos todo o potencial pecaminoso que habita em nós.

Para compreender melhor esse aspecto analise a sua vida, reflita e procure descobrir se de fato você não comete atos que desagradam ao Senhor. Podemos pensar que pecamos pouco, ou que somos bons quando nos comparamos a outros homens, e de fato isso é possível, mas se pecarmos somente uma vez isso já nos faz dignos da ira de Deus, “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.” (Tg. 2:10). Se em algum momento em nossa vida tivemos um pensamento impuro, esse pensamento é o suficiente para nos condenar diante do Deus puro. Isso é pesado e difícil de entender, mas nos faz ver a graça e a misericórdia de Deus em nos aceitar.

O que o primeiro ponto do calvinismo fala? Que todos somos dignos da condenação do Senhor, todos nascemos mortos e escravos do pecado, nossos desejos não regenerados, ou seja, não nascidos de novo, são maus e desagradam ao Deus todo Poderoso. O que isso tem haver conosco que já somos regenerados? Que ganhamos um lindo presente do Pai em Cristo e não podemos em hipótese alguma desprezar tão grande salvação (Hb. 2:3). Em nossa vida, devemos mostrar os frutos do novo nascimento e revelar ao mundo as verdades preciosas do evangelho de Cristo. O que isso tem a ver com quem ainda não nasceu de novo? Que se esse for o seu caso, você precisa desesperadamente de Deus, você é morto e escravo e sendo assim não pode fazer nada para mudar sua situação, mas Cristo veio ao mundo para nos dar vida, e o Santo Espírito nos transforma e abre os nossos olhos para que possamos ver essas verdades.

Sei que o texto é difícil e pesado, mas nunca entenderemos a obra de Cristo em nossa vida sem a real compreensão de quem somos. Se formos sinceros saberemos que de fato somos totalmente depravados e precisamos da vida que há Nele. Nada podemos fazer por nós mesmos, porém o Espírito Santo abre os nossos olhos e ouvidos para que possamos nascer de novo. O que esse ponto nos mostra é algo que pude ler no livro “Quando pecadores dizem sim”: se o pecado não for amargo em nossas vidas, Cristo nunca será doce. Se ainda restar alguma dúvida fale conosco, teremos prazer em esclarecê-la.

“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.”
Romanos 5:19

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About Marcela Mello

26 anos, solteira, formada em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia, nasceu em Salvador-BA e congrega na Igreja Presbiteriana de Brotas.

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